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Pesquisa com IA · 8 min de leitura

Como o ChatGPT e a IA da Google escolhem os negócios locais que recomendam

Os assistentes de IA montam respostas locais com páginas web, mapas, avaliações e diretórios. O que leem, que robôs deve deixar entrar e como medir com honestidade.

Por Sven Verhaeghe, consultor de SEO desde 2016

O ChatGPT, o Perplexity, o Claude e as funcionalidades de IA da Google não guardam uma lista do melhor canalizador de Almada. Quando alguém pergunta, eles pesquisam: vão buscar páginas web, fichas de mapas, classificações e entradas de diretórios, e escrevem a resposta a partir daquilo em que essas fontes concordam. Para ser recomendado, o seu negócio tem de estar acessível aos robôs que fazem essa recolha, descrito da mesma forma nas fontes que eles leem e fácil de citar no seu próprio site.

É este o mecanismo. O resto do artigo explica o que cada peça significa na prática e como medir os resultados sem se enganar.

Passo 1: o assistente procura primeiro e escreve depois

Perante uma pergunta local («bom fisioterapeuta no Barreiro», «veterinário aberto ao sábado no Seixal»), um assistente com acesso à web costuma:

  1. transformar a pergunta numa ou mais pesquisas;
  2. ir buscar resultados a um índice de pesquisa e, no caso de locais, a dados de mapas e avaliações;
  3. ler um punhado dessas fontes;
  4. escrever uma resposta com os negócios que aparecem de forma mais clara e mais consistente.

A palavra «consistente» é a que conta. Um assistente tende a repetir o que várias fontes independentes dizem sobre si. Se o perfil Google, o site, o Facebook e dois diretórios indicam o mesmo nome, a mesma morada, os mesmos serviços e uma classificação parecida, o seu negócio é uma recomendação fácil e de baixo risco. Se não batem certo (um telefone antigo, um nome diferente, um serviço que já não presta), passa a ser uma recomendação arriscada.

Como era uma resposta real

A 17 de agosto de 2026 perguntámos ao ChatGPT «melhores clínicas de estética facial em Lisboa». A resposta indicava quatro clínicas, cada uma com a classificação em estrelas e o número de avaliações do Google, ao lado de um mapa.

É uma observação isolada, não uma regra. As respostas variam com a formulação, o dia e o utilizador. Mas mostra de que matéria-prima a resposta foi feita: fichas de mapa e números de avaliações, não apenas o texto dos sites. Um perfil Google pobre ou abandonado dificilmente entraria naquela resposta, por melhor que fosse o site.

Passo 2: deixe entrar os robôs certos

Cada empresa de IA tem robôs diferentes para pesquisa/resposta e para treino de modelos. Bloquear o robô errado é o erro técnico mais comum que encontramos. Eis o que diz a documentação oficial.

EmpresaUsado para pesquisa / respostasUsado para treinoO que acontece se bloquear
OpenAIOAI-SearchBot (indexa para a pesquisa do ChatGPT); ChatGPT-User (abre uma página quando um utilizador pergunta)GPTBotSem o OAI-SearchBot, o site não aparece nas respostas de pesquisa do ChatGPT. Bloquear o GPTBot indica que o conteúdo não deve ser usado para treino.
AnthropicClaude-SearchBot (indexa para pesquisa); Claude-User (vai buscar páginas para a pergunta de um utilizador)ClaudeBotBloquear o Claude-SearchBot ou o Claude-User pode reduzir a visibilidade nas respostas do Claude; bloquear o ClaudeBot exclui conteúdo futuro do treino.
PerplexityPerplexityBot (resultados de pesquisa); Perplexity-User (pedidos feitos por utilizadores)A Perplexity diz que estes robôs não são usados para treinar modelosBloquear o PerplexityBot reduz a presença nos resultados do Perplexity.
GoogleGooglebot (Pesquisa, incluindo AI Overviews e Modo IA)Google-Extended (indicação no robots.txt para treino e fundamentação do Gemini)A Google afirma que o Google-Extended não afeta a inclusão de um site na Pesquisa e não é fator de classificação.

A regra prática: pode permitir os robôs de pesquisa e recusar o treino. A própria OpenAI dá esse exemplo. Note também que os robôs acionados por utilizadores (ChatGPT-User, Perplexity-User) podem não seguir o robots.txt, porque foi uma pessoa a pedir a página.

Uma verificação que um profissional faz sempre: abrir oseusite.pt/robots.txt e, a seguir, ver as definições de bots da firewall ou da CDN. Um site pode ter um robots.txt perfeito e, mesmo assim, devolver uma página de bloqueio aos robôs de IA porque alguém ativou a opção «bloquear bots de IA» no alojamento. Peça a página inicial com o user agent de cada robô e confirme que recebe a página normal e não um desafio.

Passo 3: a IA da Google segue as regras normais da Pesquisa

Aqui a Google é invulgarmente clara. A documentação diz que não há requisitos adicionais nem otimizações especiais para aparecer nas AI Overviews ou no Modo IA. Para surgir como link de apoio, a página tem de estar indexada e poder ser mostrada na Pesquisa com um excerto. Os controlos são os de sempre: o robots.txt para o Googlebot, e nosnippet, max-snippet ou noindex para limitar o que é mostrado.

Ou seja, «otimizar para AI Overviews» é, para um negócio local, sobretudo bom SEO normal. E nas pesquisas locais com intenção de compra as AI Overviews ainda são raras. No nosso estudo de 138 pesquisas «setor + cidade» na Flandres, em outubro de 2026, apareceu uma AI Overview em 4. O bloco do Maps apareceu em 135. Ainda não medimos Lisboa, mas a lição mantém-se: para um negócio local, a visibilidade na IA da Google passa hoje sobretudo pela ficha no Maps. Veja o que têm em comum os negócios no top 3 do Maps.

Passo 4: dê à IA uma fonte de verdade

Os assistentes citam passagens curtas que se percebem sozinhas. Facilite-lhes a vida:

  • Uma página «Sobre» com os factos sem floreados: nome legal e comercial, morada, telefone, serviços, zona de atuação, horário, ano de fundação, quem gere o negócio. Uma frase por facto. É esta a página com que quer que os outros sites (e a IA) concordem.
  • Nome, morada e telefone iguais em todo o lado: rodapé do site, Perfil da Empresa no Google, Facebook e todos os diretórios. A mesma grafia, o mesmo formato de telefone. Corrija as fichas antigas em vez de criar novas.
  • Páginas de serviço com a resposta primeiro: comece com uma frase que responda à pergunta do cliente (por exemplo: «Reparamos caixas automáticas de todas as marcas no Barreiro e na Moita, com orçamento escrito antes de qualquer trabalho»). Os pormenores vêm depois. Uma passagem que se entende sozinha pode ser citada.
  • Dados estruturados (LocalBusiness ou o subtipo mais específico) que repetem os mesmos factos num formato que as máquinas leem.

Passo 5: conquiste confirmação noutros sites

O seu site é uma voz. A IA lê também o Perfil da Empresa no Google (classificação, número de avaliações, categorias), as plataformas de avaliações, os diretórios que aparecem no seu setor e as páginas de imprensa local ou associações que o mencionem. Nos nossos dados belgas, os diretórios ocupavam 54% das posições do top 10 orgânico nas pesquisas locais, por isso estão entre as páginas que um assistente mais provavelmente vai abrir.

O trabalho não tem glamour: reivindicar e completar cada perfil relevante, torná-lo coerente e continuar a pedir avaliações reais a clientes reais. Não há atalho que resista a uma segunda análise.

Como medir (e porque ninguém o pode prometer)

As respostas de IA mudam com a formulação, o dia, a localização do utilizador e a versão do modelo. Ninguém pode garantir que o seu negócio vai ser recomendado. O que pode fazer é medir com honestidade:

  1. Escreva uma lista fixa de 10 a 20 perguntas que os seus clientes fazem de facto, com as palavras deles.
  2. Faça-as nos mesmos assistentes, numa sessão limpa, com a mesma localização, uma vez por mês.
  3. Registe quem é recomendado, por que ordem e que fontes são citadas.
  4. Mude uma coisa de cada vez e olhe para a tendência ao longo dos meses, não para uma resposta isolada.

Se alguém lhe mostrar uma única captura de ecrã como prova de «posicionamento em IA», peça a lista de perguntas e o registo mensal.

Próximo passo

Quer saber se o ChatGPT e a Google conseguem ler o seu site, e quem recomendam em vez de si? Peça um diagnóstico gratuito. Verificamos o acesso dos robôs, a coerência dos seus perfis e um pequeno conjunto de perguntas reais de clientes, e dizemos-lhe o que corrigiríamos primeiro. Para o lado do site, veja a checklist do site local.

Fontes

  1. OpenAI: Overview of OpenAI crawlers
  2. Anthropic / Claude Help Center: Does Anthropic crawl data from the web, and how can site owners block the crawler?
  3. Perplexity: Perplexity crawlers
  4. Google Search Central: rastreadores comuns da Google (Google-Extended)
  5. Google Search Central: funcionalidades de IA e o seu site
  6. Estudo próprio: 138 pesquisas locais em 6 cidades da Flandres, 5 out. 2026 (dados via DataForSEO SERP API)
  7. Observação própria: resposta do ChatGPT a uma pesquisa sobre clínicas de estética em Lisboa, 17 ago. 2026

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