O que têm em comum os negócios no top 3 do Google Maps: 138 pesquisas locais analisadas
Analisámos 138 pesquisas locais: a distância decide quem entra no top 3 do Maps, as avaliações e as fotos separam os vencedores e quase ninguém mostra preços.
Por Sven Verhaeghe, consultor de SEO desde 2016
Os negócios que ocupam o top 3 do Google Maps partilham três coisas. Estão perto de quem pesquisa, têm mais avaliações e mais fotos do que as fichas abaixo e têm um site que diz claramente qual é o serviço e qual é a localidade. Foi isto que encontrámos ao analisar 138 pesquisas locais a 5 de outubro de 2026. Um site arrumado, por si só, não separou vencedores de perdedores: quase todos os sites que aparecem já o têm.
São dados da Bélgica: explicamos o método, os resultados, os limites e o que esperamos que se aplique a Lisboa.
Como fizemos o estudo
Escolhemos 23 setores locais (telhados, eletricistas, canalizadores, pintores, veterinários, óticas, fisioterapeutas, oficinas, cabeleireiros, imobiliárias, restaurantes, entre outros). Pesquisámos cada um no formato «setor + cidade» em seis cidades da Flandres: Gante, Bruges, Kortrijk, Roeselare, Aalst e Ostende.
- 138 páginas de resultados orgânicos e 138 páginas de resultados do Google Maps, com 20 resultados cada, recolhidas através da DataForSEO SERP API com a localização definida em cada cidade.
- 1168 páginas analisadas, mais o sitemap de cada domínio, para comparar o que as páginas vencedoras têm de facto.
- Grupos de controlo: o 1.º lugar orgânico contra os lugares 11 a 20, e o top 3 do Maps contra as posições 15 a 20. Uma diferença só conta se o mesmo elemento for mais raro lá em baixo.
Os limites, ditos à partida: um único dia, um único ponto de pesquisa (o centro da cidade) e apenas desktop. A classificação das fichas como diretório, cadeia ou negócio local seguiu regras automáticas, não uma revisão manual. Seis cidades por setor é uma amostra pequena. Tudo o que se segue é correlação, não prova de causa.
Conclusão 1: o prémio é o top 3 do Maps, não o 1.º lugar orgânico
135 das 138 pesquisas mostraram o bloco de 3 resultados do Maps e, em 134 dessas 135, era o primeiro elemento da página. Quem procura um canalizador na sua zona vê primeiro essas três fichas. Um plano de SEO local que fala só de posições orgânicas está a apontar ao segundo prémio.
Conclusão 2: a distância decide quem entra
409 das 414 fichas do top 3 estavam a menos de 5 km de quem pesquisava. A distância mediana foi de 1,2 km no top 3, 1,5 km nas posições 4 a 10 e 1,7 km nas posições 11 a 20.
Isto bate certo com a explicação da própria Google. A página de ajuda indica três fatores para a classificação local: relevância (até que ponto o perfil corresponde à pesquisa), distância (a que distância o negócio está de quem pesquisa) e destaque (até que ponto o negócio é conhecido). E diz sem rodeios que não é possível pedir nem pagar por uma melhor classificação local.
Na prática, não pode mudar de morada. Um negócio a 8 km do centro dificilmente aparece a quem pesquisa no centro, faça o que fizer. Dentro do raio onde pode competir, é na relevância e no destaque que pode trabalhar.
Conclusão 3: avaliações e fotos separam o top 3 do resto
- Em 21 de 23 setores, a mediana de avaliações do top 3 era superior à das posições 8 a 20.
- Em 19 de 23 setores, o top 3 tinha também mais fotos. Telhados: 21 contra 4. Janelas e portas: 30 contra 9. Canalizadores: 10,5 contra 2.
As exceções também ensinam alguma coisa. Nos restaurantes, o top 3 tinha menos avaliações (mediana de 155 contra 292), por isso aí pesaram mais a relevância e a distância do que o volume. Nos eletricistas também não houve diferença clara.
A fasquia muda muito de setor para setor. Em pintores, carpinteiros, jardinagem, eletricistas, contabilistas e empreiteiros, cerca de 10 a 15 avaliações reais já chegavam ao nível do top 3. Em cabeleireiros, imobiliárias, lojas de bicicletas, veterinários e restaurantes, o top 3 estava nas 75 a 150 ou mais. Antes de definir um objetivo de avaliações, veja a mediana do top 3 no seu setor e na sua zona. Uma regra genérica para todos os setores não lhe diz isso.
Conclusão 4: os diretórios dominam a primeira página orgânica
Diretórios e plataformas ocupavam 54% de todas as posições do top 10 orgânico e 51% dos 1.º lugares (71 de 138). Um diretório generalista de empresas apareceu em 22 dos 23 setores e o Facebook em 20. Um negócio independente ficava, em regra, com um ou dois lugares na primeira página.
Um perfil completo e coerente nos diretórios do seu setor é, por isso, uma segunda porta de entrada na primeira página.
Conclusão 5: o SEO na página é o mínimo, não o que faz a diferença
Os negócios independentes em 1.º lugar orgânico e os que estavam entre o 11.º e o 20.º eram quase iguais na página: cidade no título em 79% contra 72%, serviço no título em 61% contra 61%, cerca de 550 palavras e quatro subtítulos. O site em 1.º lugar tinha mais palavras-chave posicionadas do que o melhor site entre o 11.º e o 20.º em apenas 35 de 123 casos. Ou seja, raramente era só o site maior a ganhar.
O que os vencedores faziam mais vezes era posicionar uma página feita para serviço + localidade. 65% dos independentes em 1.º lugar orgânico apareciam com uma página interna e não com a página inicial, e 40% tinham a cidade no endereço (algo como /telhados-bruges).
Os elementos obrigatórios
| Elemento | 1.º orgânico (independente) | Site do top 3 do Maps | O que lhe diz |
|---|---|---|---|
| HTTPS + versão móvel | 98% / 100% | 96% / 98% | Não ter é sinal de alarme, não é vantagem |
| Cidade no título da página | 79% | 53% (35% nas posições 15–20) | O sinal do site mais ligado à posição no Maps |
| Serviço no título da página | 61% | 42% (29% nas posições 15–20) | |
| Meta descrição | 86% | 81% | |
| Telefone clicável | 63% (53% nas posições 11–20) | 57% | |
| Morada completa com código postal | 66% | 77% | Igual, letra por letra, à do perfil Google |
| Pedido de orçamento ou marcação | 63% | 71% | |
| Sitemap XML | 84% | 82% |
O interessante está nas falhas. Os dados estruturados LocalBusiness apareciam em apenas 22% das páginas em 1.º lugar, perguntas frequentes em 19%, avaliações mostradas no site em 28% e algum preço em apenas 37%. No entanto, o bloco «Outras perguntas» apareceu em 86 das 138 pesquisas e, nos ofícios, as perguntas eram quase todas do tipo «quanto custa X por hora / por m²?». O site mediano não tinha nenhuma página de localidade no sitemap. São correções baratas, e a maioria da concorrência ainda não as fez.
Conclusão 6: um grupo de fichas suspeitas no top 3
77 dos 414 lugares do top 3 eram de fichas com menos de cinco avaliações. Em alguns setores a fasquia é baixa, mas repetia-se um padrão: fichas com o nome «setor + cidade», às vezes com símbolos no nome, em moradas emblemáticas como a praça principal ou o n.º 1 de um cais, com zero a duas avaliações, e por vezes a mesma marca repetida em várias cidades.
Têm todo o aspeto de fichas virtuais ou de angariação de contactos. Não as verificámos uma a uma, por isso não as identificamos. As diretrizes da Google exigem que o nome seja o nome real do negócio e que a morada seja um local real. Escritórios virtuais só são aceites se tiverem pessoal durante o horário de funcionamento. Copiar o padrão é arriscar a suspensão. A resposta legítima é denunciar uma ficha apenas com provas sobre essa ficha em concreto.
Outras observações
- As AI Overviews quase não apareceram: 4 em 138 pesquisas locais. Para os ofícios locais, visibilidade em IA significa hoje sobretudo Maps, diretórios e assistentes como o ChatGPT. Veja como o ChatGPT e a IA da Google escolhem negócios locais.
- Pouca publicidade: só 14 das 138 pesquisas tinham anúncios.
- Um bloco de «sites relacionados» apareceu em 117 das 138 pesquisas, com cerca de 10 sites cada, e 81% deles eram negócios locais e não diretórios. Ainda não se sabe como se entra nele.
E em Lisboa?
Ainda não medimos Lisboa. O modelo local da Google (relevância, distância e destaque) é o mesmo em todo o lado, por isso esperamos que se mantenham três coisas: o top 3 do Maps como prémio principal, a distância como porta de entrada, e avaliações e fotos como fator de separação. O que vai mudar: que diretórios aparecem, a fasquia de avaliações em cada setor e, possivelmente, as distâncias nos bairros mais densos. Publicaremos os números de Lisboa quando os tivermos medido com o mesmo método.
O que fazer com isto
- Veja a mediana de avaliações e de fotos do top 3 atual para o seu serviço na sua zona, e feche a diferença com clientes reais.
- Ponha o serviço e a localidade no título da página e dê a cada serviço principal a sua própria página. Veja a checklist do site local.
- Responda à pergunta do preço no site, nem que seja com um intervalo.
- Preencha o Perfil da Empresa no Google por completo, sem truques. Veja o que realmente mexe no ranking do Perfil da Empresa.
Próximo passo
Quer saber onde está o seu negócio face ao top 3 da sua zona, em distância, avaliações, fotos e site? Peça um diagnóstico gratuito. Mostramos-lhe os números para o seu serviço e a sua localidade, e o que corrigiríamos primeiro. Sem promessas de posições, só os dados.
Fontes
- Estudo próprio: 23 setores × 6 cidades da Flandres, 138 SERP orgânicas + 138 SERP do Maps, 5 out. 2026 (dados via DataForSEO SERP API)
- Ajuda do Perfil da Empresa no Google: dicas para melhorar a classificação local
- Ajuda do Perfil da Empresa no Google: diretrizes para representar a sua empresa no Google
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